segunda-feira, 30 de junho de 2014

"Só sei que nada sei"...

Dizem por aí que "mãe é tudo igual". Eu mesma em um passado não muito distante, cheguei a pensar desta forma. Excesso de cuidados, proteção, amor… até aí tenho que concordar. Mas lá no fundo de nossa alma, nas profundezas mais obscuras de nossos pensamentos e sentimentos, ninguém pode imaginar o que passamos. E falo isso principalmente me relação ao meu filho Leo. É um conflito de sensações extremas e opostas, talvez todos os dias de nossas vidas. Uma luta interna entre a razão e emoção, onde não há vencedores, portanto, não existe prêmio final. Mesmo com um único objetivo.

O que me traz aqui hoje, é a reflexão sobre as fases que Leo tem passado. Como em um piscar de olhos ele tem mudado tanto, e em tão pouco tempo, que mal posso perceber sem analisar. É preciso se despir de conceitos e teorias e se entregar a essa aventura sem grandes perspectivas que é ser mãe de uma criança com deficiência severa. E apurando este olhar diante de suas transformações, vem questões que não encontro meios de buscar respostas.

Qual será a cor preferida do meu filho!? Não sei, e pior, não sei se um dia saberei. Será que lasanha é mesmo seu prato preferido? Ou em seu topo de preferências está a culinária japonesa!? Daria minha vida para saber o que se passa em sua cabeça. Quando ele franze a testa, quando me busca com o olhar e dá aquele sorriso quando encontra. O que ele quer dizer com isso!? Será que ele prefere massagem nos pés ou nos ombros!? E quanto ao banho, prefere mesmo água fria do que quente!? Suas reações dizem que sim, mas o que se passa na sua cabeça!? Não sei.

E mesmo com toda sua dificuldade visual, "assiste" a um filme infantil!? Será que ele enxerga somente vultos como certas vez alguns médicos me disseram, ou consegue diferenciar cores e formas como eu acho que sim!? E o que dizer da risada que ele dá quando faço cafuné?! Será que é pq ele sente cócegas, ou pq está gostoso!? E das vezes que ele chora e eu não sei o que se passa, é como uma navalhada em meu peito que faz doer toda a minha essência. Seria dengo, somente um menino comum querendo chamego, ou uma forma de pedir por uma necessidade básica!? E quando eu saio e ele chora?! Será que ele pensa que não vou voltar nunca mais!? Não sei.

Se ele pudesse escolher, qual música será que ele gostaria de escutar?! E imagino ainda muito mais… Como deve ser a sua voz falando "mamãe"!? O que se passa em sua cabeça!? Que tipo de sentimentos, sensações e desejos ele pode ter!? E quando está dormindo, algumas vezes sorrindo!? Como o que será que ele está sonhando!? Em voar, caminhar, correr, cantar, coisas que ele nunca fez em sua vida, ou sonha com seu próprio mundinho, o único que ele conhece!? Não sei e temo não saber.


Ser mãe do Leo é um exercício diário de se colocar no lugar do outro, talvez umas das maiores dificuldades do ser humano, e por isso há tanta injustiça no mundo. Confesso que não é fácil, mas eu tento. E sofro. E sou feliz. Bem contraditório assim. Sem rótulos, sem definições. Vivendo cada um desses sentimentos em sua significância. Apenas somos, apenas vivemos. Mas no fim das contas, a grande verdade é que ninguém imagina o quanto é sufocante saber que de nada sabemos.




quarta-feira, 28 de maio de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O que é ser "especial"?!

Uma palavra muito presente na vida das mães de crianças deficientes, é a palavra "especial". Reparem bem. Sempre que há algo sobre o assunto, é impossível não encontrar esta palavra junto. Já deixei claro algumas vezes minha antipatia por este termo. Mas ao mesmo tempo, confesso que em algumas situações eu mesma acabo usando para facilitar as coisas. Falar "meu filho é deficiente", pode chocar um pouco. Mas "meu filho é especial", a reação é extrema oposta. 

Pois então a grande questão é: "O que é especial pra vc?!"

Ter um filho de 7 anos que não anda, sem o menor controle motor, que não fala, que necessita de sua dose diária de tarja preta, que usa fralda geriátrica, que tem problemas de mastigação e visão, não tem nada de especial. Aceitem. Não julguem. A realidade é essa. Mas em contrapartida, ele tem diversas qualidades que o fazem de fato especial. É altruísta, puro, não tem malícia. Sabe amar e demonstrar este amor, mesmo que não fale. É doce, tem um olhar de ternura, e é louco por carinho. 

Mas ninguém nunca fala que Pedro- seu irmão gêmeo, é especial. Afinal, ele anda, fala, corre, lê, estuda, brinca, é considerado uma criança normal como qualquer outra. Mas e o significado de "especial" no dicionário, qual é!? Vamos ver!?


Significado de Especial:

adj. Peculiar a uma pessoa ou coisa; privativo, singular, exclusivo: aptidão, autorização especial.
Fora do comum, excelente, notável: vinho especial.
loc. adv. Em especial, principalmente, com particular atenção a.

Há duas noites atrás, estavam todos em casa dormindo, enquanto eu estava sentada em frente ao computador fazendo meu trabalho de edição de fotos. Ao menos eu pensava que estavam todos dormindo, até Pedro chegar. Ele falou: "Mãe, trabalhando a essa hora!? Deixa isso para amanhã de manhã!". Respondi que era o único horário que eu tenho paz e tranquilidade na casa para focar no meu trabalho. Pela manhã, tenho muitas coisas para fazer já que fico sozinha com eles. E questionei o porquê dele estar acordado, já que deveria estar dormindo. Ele respondeu: "É que me deu uma fominha e queria te pedir para abrir esses cookies aqui pra mim."

Provavelmente uma mãe comum, responderia coisas "normais". Mas eu falei: "Tá bom, mas com uma condição: divide comigo!" [risos] Ele topou, claro. E começou a olhar as fotos e enchendo de elogios. "Que foto linda!", "Que bebê fofo!", "Vc fez um belo trabalho mãe!". Havia somente uma cadeira, a de trabalho que eu estava sentada. Ele olhou para os lados como quem busca algo para se instalar ali do meu lado. Sem pensar duas vezes, pegou a cadeira de rodas do Leo e sentou. E se aconchegou. Ficamos nós dois em frente ao computador onde eu seguia meu trabalho, e ele acomodado na cadeira de rodas do irmão.

A maturidade, percepção de vida é tanta, que cheguei a ligar o gravador de voz do celular enquanto conversávamos. Vindo dele, sempre há "pérolas" e eu queria mostrar para o pai posteriormente. Ele disse: "Eu queria tanto que meu irmão pudesse jogar bola comigo, trocar figurinhas e ir pra escola…" Perguntei o porquê dele estar dizendo aquilo e ele: "Pq ele é meu irmão do coração né!? Bem que ele poderia fazer tudo isso...mas ele é especial, e eu não."

Penso comigo: Poderia sim, meu filho, se não fosse um médico incompetente no meio do caminho. Se não fosse uma equipe nada humanizada a me acompanhar na cirurgia que os retirou de meu útero. Poderia, se não o tivessem levado longe de minha vista ao nascer, e sabe-se lá o que aconteceu no berçário daquela maternidade naquele revéillon de 2006 para 2007. Poderia, se eu tivesse munida de informação como sou hoje. Mas agora é tarde. Inês é morta.

Conversamos muito. Ri bastante tb, a ponto de tentar controlar gargalhadas para não acordar o pai que dormia na cama ao lado. Ao final do pacote de cookies, ele se deu por satisfeito e se despediu. "Boa noite mãe!" E se foi, mas não por muito tempo. Logo voltou dizendo: "Mãe, cadê minhas lembranças!?" 

Pausa. 

Suas "lembranças" significa um álbum de fotografias de quando os dois eram bebês. Todo dia antes de dormir ele tem olhado estas fotos, dizendo que o acalma e faz domir. A coisa mais linda do mundo é olhar para ele de manhã dormindo agarrado àquele álbum.

Despausa. 


Entreguei o tal álbum e aí sim ele foi em direção a seu quarto. Muitas vezes duvido se estou mesmo batendo papo com uma criança de 7 anos e 4 meses. Não seria um anão disfarçado!? Um E.T infiltrado no meio de nós!? Mas não. É somente meu filho Pedro, com toda sua peculiaridade, singular, exclusivo, fora do comum, notável. Exatamente como a descrição da palavra "especial" no dicionário.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Na terra do tio Sam!




Durante toda minha vida, ao pensar na viagem dos sonhos, minha última intenção seria os EUA. Assim como muitos brasileiros, passei muito tempo ouvindo o quanto os americanos são arrogantes, prepotentes, racistas e preconceituosos. Há uma raiva coletiva impressionante e o pior; baseado em achismos pequenos, sem ao menos conhecê-los. E confesso aqui, eu tb já fui dessas. Antes de partir para a California, em uma breve pesquisa, concluí que já foi inclusive comprovado estatisticamente que o brasileiro é muito mais anti-americano, do que o americano anti-brasileiro. E isso, eu pude ver com meus próprios olhos.

Vamos combinar uma coisa; o preconceito existe e (infelizmente) sempre existirá, em qualquer canto do mundo. Seja o motivo que for. Em tempos de bananas jogadas em estádios europeus, podemos perceber que apesar da miscigenação em nosso país, ainda temos muito o que caminhar no quesito racismo e preconceito. Vide "campanhas" (de intenções duvidosas, devo dizer) como #somostodosmacacos. Eu não sou, vc é!? O que percebi lá, é que os negros por exemplo, tem preconceito com si próprio, revelando explicitamente em suas atitudes e comportamento. E claro que há algo histórico e cultural nisso, nem precisa pensar muito.

Durante esses dias nos EUA, não passeei somente como turista. Vivi de perto a rotina de uma família americana, indo a supermercados, shoppings, metrô, bonde, farmácias e até médico. Tive contato com uma diversidade de gente, imigrantes de todas as partes do mundo, todos vivendo livremente e em harmonia, sem importar raça ou religião. Ressalto principalmente orientais e indianos, que vemos por toda parte. No fim das contas, vejo o quanto temos o que aprender com esse povo no quesito "tolerância", e não ao contrário como muitos pensam.

No dia-a-dia, não posso deixar de comentar sobre a extrema educação, respeito ao espaço do próximo, receptividade, civilidade, tranquilidade, simpatia. Muitos sorrisos, dando uma sensação de bem estar e acolhimento, algo bem diferente do que eu esperava. Muitas vezes perguntavam de onde vim, sempre com alegria no rosto esperando a resposta. E ao dizer "Brazil!", ouvi até mesmo do funcionário de uma loja: "Ronaldinho Gaúcho, futebol!". 

Não que todos saibam onde e o que é o Brasil, não é isso! Mas acho que eles encontram uma maneira de nos fazer sentir bem em sua terra. E se desta vez eu viajei "armada", preparada para dar de cara com tudo o que ouvi durante uma vida, foi preciso somente alguns dias para desconstruir toda aquela imagem que eu havia formado durante tanto tempo.

Outro ponto, é a idéia de "time is money", de que americano só trabalha não dedicando tempo a relações humanas, lazer, amigos. Ledo engano! Acho que eles sabem viver muito mais do que nós! Basta ameaçar alguns raios de sol e mesmo durante a semana lá estão eles aproveitando a vida, sentindo o frescor do ar na areia, ou na grama fresca bem no centro da cidade, como vcs podem ver nas imagens.




E o que realmente em chamou muito a atenção, foram idosos e deficientes circulando sozinhos e normalmente nas ruas. Pois há acessibilidade e acima de tudo, respeito em relação a eles. Muitos de cadeira de rodas, bengalas e andadores nas movimentadas ruas e sem nenhuma ajuda, pois não é preciso.



No quesito "alimentação", me preocupei bastante, afinal, eu estaria no país mais obeso do mundo. Mas minha conclusão é: só é gordo quem quer. A oferta de produtos alimentícios orgânicos naturais e saudáveis é IMENSA! Eu diria até mais do que aqui, cidade de culto ao corpo. Lá, em qualquer loja de conveniência, e até mesmo farmácias existem bancas de frutas. A variedade é muita, e pude até mesmo experimentar restaurante especializado em saladas. Isso sem falar na quantidade de gente que se exercita, seja correndo, pedalando, ou malhando ao ar livre à beira do mar.





Se dizem que o RJ é a cidade maravilhosa por suas belezas naturais, não existem palavras para definir tamanha exuberância de São Francisco. Este lugar definitivamente me conquistou! O americano me conquistou! Seu patriotismo, excesso de educação, o jeito leve de levar a vida e não posso deixar de citar, a competência, comprometimento e eficiência. Coisas que podemos perceber desde vindo de um caixa de supermercado (sub-emprego é outra questão bem valorizada lá, diferente daqui), até um funcionário do aeroporto.

Antes que me achem uma sonhadora deslumbrada, afirmo que há sim seus problemas, como em qualquer nação e sei de alguns deles não somente por minha melhor amiga morar lá, mas tb por minha sogra ser cidadã americana, e mora em Miami há quase 20 anos. A começar pela saúde pública e moradores de rua. Mas dos males, o menor. Sair com uma câmera de R$7.500 no pescoço com liberdade para ir e vir sem me preocupar com violência e assaltos, andar pelas calçadas e estabelecimentos sem ser esbarrada, atravessar as ruas sem correr o risco de ser atropelada, não receber cantadas medíocres e machistas na rua independente da roupa que visto, receber "bom dia, boa tarde, boa noite" diversas vezes a toda hora, não há preço que pague.




E para não dizer que nãoo falei das flores, é impossível não reparar na quantidade delas por todos os lugares, deixando ainda mais lindo o que já é belo! De muitas cores, formas, texturas... Nunca conheci um lugar tão florido! O que explica aquela famosa canção: "For those who come to San Francisco Be sure to wear some flowers in your hair..."




Espero assim em breve ter a possibilidade de estreitar laços com esta paixão à primeira vista, e dar a meus filhos a chance de sentir o gosto do que é o Primeiro Mundo. As crianças precisam saber que a vida não é somente descaso, gente buzinando desnecessariamente, estacionando em vaga preferencial, sujeira no chão, grosseria e falta de educação. Que há sim uma luz no fim do túnel, e que ela pode estar ou na América, ou em muitos outros lugares pela face da terra. O mundo é nosso!




































terça-feira, 22 de abril de 2014

Viajando SEM filhos!


"Não há nada melhor para exercitar a cara de pau, do que viajando sozinha." É mais ou menos assim a frase que eu li do livro "Um lugar na janela" de Martha Medeiros, qdo o avião decolou rumo aos EUA, em minha primeira viagem sozinha. Algo que há algumas semanas atrás eu poderia afirmar que seria uma utopia. A começar pela meu hábito de sempre andar em grupo desde sempre. Família grande, estar sozinha é uma raridade e tudo geralmente é multiplicado por cinco, tornando tudo sempre mais difícil. Depois, me virar sem ninguém me protegendo, já que confesso (e ele tb!)- sou mimada pelo marido. Arranhando um inglês que não pratico há quase 10 anos, desenrolando na imigração, tendo malas revistadas, tomando decisões por mim mesma. Uma experiência única, incrível, inesquecível! De crescimento pessoal, de aprendizado, e de uma visão de mundo ainda maior agora.

Foi tudo muito rápido. A decisão de ir à Califórnia, as entrevistas no consulado para o visto americano, e a passagem enfim confirmada. Do dia em que preenchemos o relatório de entrada pela internet, até a última entrevista, levou exatamente 1 semana. Mais 2 dias, visto em mãos. Na semana seguinte parti, de supetão, já que não havia contado para ninguém, nem mesmo pessoas próximas. Parecia um sonho (ainda hoje acho que foi sim!), a começar pelos belos dias de sol, com um envolvente friozinho final de tarde. E ao mesmo tempo que meu coração apertava por estar longe dos filhos e marido, eu sentia o quanto aquilo era necessário para mim. As crianças estariam em melhores mãos impossível, da única pessoa do mundo capaz de cuidar como eu cuido. A única na face da terra em quem confio 100%. E sem o apoio e incentivo dele, eu não teria tido coragem.

Logo, eram dois sonhos se realizando. A de estar junto com minha amiga-irmã gestando um bebê muito desejado em outro país. Voltamos ao tempo qdo éramos 'teen' e nosso único compromisso era com a diversão. Com ela, consigo tocar o meu mais profundo eu, lembrar quem eu sou, resgatar minha essência juvenil. E eu, que fotografo tantas grávidas, como poderia estar longe em um momento único e especial desse?! Não seria justo! E esse foi meu maior estímulo em deixar tudo para trás, a realização em registrar quem eu já amo tanto, dentro da barriga.

Matamos as saudades, conheci sua nova família e cultura, seu novo estilo de viver, e aprendi muito, muito mesmo! Quebrei preconceitos, desconstruí conceitos, e passei a admirar os americanos tão gentis, educados e acolhedores. Momentos tão inesquecíveis que foram capazes até de abafar a saudade de casa, que ficou soterrada lá no fundo do peito.

Como é muita coisa pra contar, começo falando sobre a pergunta que não quer calar! "Como vc conseguiu!?", é o que mais tenho escutado. Pois bem. Como eu disse no início, sem o apoio do homem que amo e escolhi para ser pai dos meus filhos, seria impossível. A princípio tínhamos um plano com tia Karen que daria a maior força do mundo, já que minha preocupação principal era Leo. Dias antes, teve um princípio de crise convulsiva parcial focal e depois vômitos. Fomos ao neurologista que me afirmou ser psicológico, certamente já sentindo toda movimentação a sua volta. E por isso achamos mais prudente o pai ficar com ele 24 horas por dia, já que se trata de um caso 'especial'. 

Só não sabíamos que no final das contas, Leo foi quem menos deu trabalho, e se sofreu minha ausência, não demonstrou sinais claros. Foi algo suportável, graças à tecnologia! Aplicativos via celular que nos aproximam em qualquer momento, nos falávamos por vídeo, whatsapp, de qualquer jeito!

Tentamos manter a rotina deles o mais próximo do normal possível, para que não percebessem minha falta. E agora vejo que não foi bom somente para mim, mas para eles tb que certamente hoje me dão mais valor. Ou eles achavam que é mágica comida no prato, louça lavada e roupa limpa!? Rá! Soube por fontes seguras (leia-se: Pedro) que houve dias em que a refeição foi pizza e Mc Donalds. Mas olhando de um panorama geral, todos se saíram muito bem!

No campo profissional, agilizei trabalhos para serem entregues antes do prazo (aqueles que venceriam durante minha ausência), para que eu pudesse de fato "desligar" de compromissos e ser somente uma viajante e sem prejudicar ninguém, com a minha consciência limpa. Ao chegar, de volta ao Brasil, em dois dias já estava cumprindo compromisso de agenda e até registrando um lindo parto domiciliar! Tudo deu super certo!

A lição que passo para vcs é: nós sofremos mais do que eles! E esse tempo para nós mesmas, sem preocupações externas, é fundamental para a renovação das energias para a vida, em todas as áreas. E as crianças, tem um poder de adaptação impressionante, em qualquer circunstância. Pedro nos últimos dias da minha viagem, falou para o pai: "Pai, vc está sofrendo né!? Tá sofrendo igual aquele dia que eu caí da cama qdo eu tinha 2 anos." Era um menino de 7 anos, consolando um de quase 37.

E assim, a vida vai nos guardando surpresas, nos mostrando luz no caminho quando menos podemos esperar e nos trazendo novas perspectivas. E assim, vem aquela onda de renovação, um gás extra, uma vontade de viver indescritível! No próximo post, vou dividir em 2 já que ninguém lê post grande demais vou falar sobre minhas impressões sobre aquele povo que me conquistou com sua educação e simpatia!


















quarta-feira, 2 de abril de 2014

4 anos!!!!!!



Há 4 anos eu era somente uma dona de casa que abriu mão de um emprego fixo para ser mãe de 3 filhos em tempo integral, em busca de sua verdade. Escrever, foi uma forma de externar idéias e sentimentos que não cabiam mais somente na minha caixola. De lá pra cá, tanta vida aconteceu! Anos muito intensos, de transformações, aprendizados e conquistas que foram registrados em forma de posts para todo sempre.

Estamos em uma eterna evolução e sendo assim, olho para trás e quase chego a sentir uma pontinha de vergonha ao reler postagens antigas. Tudo muda, eu mudo, o mundo mudou. Mas é minha história e aqui sempre fui eu mesma, sem máscaras, escrevendo para mim e mal sabia eu que ganharia espaço até mesmo em outros continentes.



Ganhei amigos inesquecíveis e leais. Mas como nem tudo na vida são flores, tb descobri que existem qos 'Stalkers' sem boas intenções, mas seres desprezíveis demais para ganhar algum espaço na minha memória. Não consigo mais blogar como antes, quando os posts eram praticamente diários. Mas não me falta vontade. A vida é feita de prioridades, as crianças cresceram e minha profissão junto com elas me exigindo muito tempo e dedicação. O trabalho de casa tb. Tomei as rédeas da minha família e o preço é muito alto. Ser mãe, esposa, profissional, amiga e ainda lavar, passar, cozinhar, faxinar não é moleza. Mas sempre serei blogueira. Para sempre.

Recebo semanalmente diversos e-mails e diferentes pessoas e culturas e assuntos distintos. Seja sobre fotografia, parto natural, maternagem… faço minha mea-culpa por não conseguir responder todos da maneira que eu realmente gostaria, mas quem disse que a vida de uma mãe polvo é fácil!?

Em 02 de abril de 2010, data da criação deste blog, eu era uma mãe-mulher de 31 anos com corpinho de 30. Hoje, 02 de abril de 2014, sou uma mãe-mulher-blogueira-fotógrafa-aspiranteadoula que quer mais! Zona de conforto não é meu lugar preferido, definitivamente. E assim, devagar e sempre, comendo pelas beiradas, vou chegando onde quero e conquistando meu espaço neste mundão e hoje posso afirmar como todas as letras; nunca fui tão feliz!

À quem está comigo neste tempo, a quem acompanhou o crescimento, agruras e sucesso de meus filhotes. Minha luta pela inclusão, minha guerra em prol do respeitos aos deficientes. Quem passou a ver o parto natural humanizado com outros olhos, a quem me incentivou a seguir a fotografia minha grande paixão que se tornou profissão. À quem dedica seu tempo e carinho a nos enviar algumas palavras, ou somente ficar na moita lendo o blog.

Para aqueles que me ensinaram e àqueles que aprenderam um pouquinho tb, o meu MUITO OBRIGADA! Mais de 1 milhão e 600 mil acessos em um blog criado sem pretensão para falar sobre o mundo materno, não é pra qualquer um e nem o tempo todo que vemos. E isso, devo a cada um de vcs! 

GRATIDÃO!



Que venham outros 4 anos! Que a paz impere na blogosfera, que tenhamos motivação para escrever muito mais!

segunda-feira, 24 de março de 2014

As fases da vida e nós.

Que a vida é feita de fases, seria algo redundante demais em se dizer. Quando se trata de filhos então… As mudanças das fases começam ainda intra-útero, antes mesmo da chegada ao mundo. Aquele "feijãozinho" até então um feto, logo se transforma em um bebê. Um bebê que nasce, cresce, se desenvolve e logo está buscando seu lugar ao sol. Em um piscar de olhos, um pequeno recém-nascido logo está fazendo gracinhas, distruibuindo sorrisos, imprimindo traços de sua personalidade. E então ele senta. E começa a engatinhar. Tão logo já está dando seus primeiros passos. Como a natureza é perfeita! E que delícia curtir cada fase!

Comigo não foi diferente. A não ser pelo detalhe que meu filho é tetraplégico. Mas dentro do contexto de seu mundo, aprendi a apreciar, observar, comemorar suas pequenas conquistas, como o valor de uma imensa vitória. Mexer a mão voluntariamente, controlar o pescoço por alguns segundos a mais do que o comum… a emissão de um som com uma sílaba diferente, mesmo que não diga nada a ninguém, para mim é tudo. 

Leo está com 7 anos, 2 meses e 24 dias. E até hoje, dentre todas as etapas de sua ainda curta vida, sem dúvida a mais marcante foi a transição do carrinho de bebê para a cadeira de rodas. Ele tinha 3 anos e meio, e lembro que foi uma fase muito feliz, de descobertas e desafios. Eu estava preocupada demais com sua adaptação para pensar em outras coisas. De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Ele cresceu, de bebê virou um lindo menino saudável e de bem com a vida. Mas crescer dói. Muito. Nele e em mim. 

Leo deixou de ser portátil. Não é mais um bebê gigante e sim um garoto muito pesado e desengonçado. Suas maiores necessidades ainda são as mesmas de alguns anos atrás, embora de outra forma. Antes podíamos levá-lo a todo e qualquer lugar mesmo sem acessibilidade para a cadeira de rodas. Colocava-o no sling, no colo do pai e pronto, resolvido. Hoje não mais. Noite dessas, fui dar banho no Leo como de costume sentada em um banco debaixo do chuveiro, e ele em meu colo. Em um momento, perdi as forças. Sua rigidez muscular e espasticidade, deixava-o esticado mostrando bem a que veio. Alto, comprido, forte com direito a muque e barriga sarada! Se por um lado me sinto orgulhosa em ver aquele frágil prematuro crescido, por outro, dói. Física e emocionalmente. E neste dia em especial, percebi que não posso cuidar dele como antes.

Meu corpo pesa. Vivo com dores musculares. Minha coluna já pediu socorro algumas vezes. O trabalho é árduo. Trocar sua roupa, já não é mais uma tarefa automática, é uma guerra. E o pior, a tendência é ficar cada mais difícil, pois ele é só uma criança. E depois!? É algo que eu confesso não pensar muito. Seria antecipar um sofrimento, se posso evitá-lo. Que não se confunda com fuga da realidade, não é isso. Só acho que é preciso ser vivido um dia de cada vez.

Há tempos a fralda infantil tamanho XXG não segura mais os xixis do Leo. Cheguei a usá-la juntamente com as fraldas de pano como uma proteção maior. Mas até as maiores fraldas de pano já estão pequenas para o corpo de um bebê preso em um menino. Tive a idéia de tentarmos usar a fralda geriátrica, poderia ser uma boa solução. Comprei um pacote tamanho P e segui. 

A princípio, me parecia grande demais. "Hummm, não dará no Leo…" - pensei. Mas sim, coube perfeitamente. "Esse algodão me parece fraco, não vai sustentar seu xixi…" - pensei, novamente procurando "desculpas" para não usar. Uma, duas, três noites usando fralda geriátrica e a cama se manteve seca e limpa. Ao contrário dos outros dias que acordava parecendo um mictório. De fato, foi a melhor solução, cheguei a comemorar! Mas em contrapartida, aquilo parecia um decreto, uma condenação. É como se pela primeira vez em todos esses anos, eu estivesse assumindo de fato a condição de deficiente para sempre de meu filho. E então, aquela fase marcante da transição do carrinho para a cadeira de rodas, se tornou pequena.

É um choque. É doloroso. A aparência da fralda me dá uma idéia de doença, hospital, dependência, sendo que meu filho é cheio de vida. E me sinto no direito de me sentir assim. É meu filho, minha história, nossa relação. Em certos momentos, me permito chorar. Mesmo que as lágrimas pareçam não fazer sentido. Em outros, como hoje, simplesmente não posso. Devo buscar amenizar a situação e tentar lidar de outra forma buscando forças como quem busca uma corda ao cair em um buraco. 

Sei que existem coisas que são mesmo inevitáveis. Mas nossa postura diante delas é que será determinante. O sofrer, faz parte. Mas se reerguer tb. Resolvi sair para comprar cuecas samba-canção e ajudar a compor as fraldas. As mais lindas, confortáveis e fashions que existir no shopping, não me importa quanto custará. Já que Leo tem que usar as detestáveis fraldas geriátricas, que seja com estilo e alegria. Acho que no fim das contas, ele irá curtir essa nova fase e Pedro poderá até tirar uma casquinha. Estou indo, desejem-me sorte! [é sério!]





segunda-feira, 17 de março de 2014

Pérolas de Pedro!


Esse é daqueles posts onde é impossível não rir. Aliás, essa veia cômica acompanha Pedro desde sempre e quero falar um pouquinho sobre isso. Meu filho é um menino muito ativo, esperto, criativo, tem raciocínio lógico rápido. É "pá-pum", respostas na lata, doa a quem doer, algumas vezes me dando frio a espinha de tensão sobre o que ele vai falar. 

Mas tudo na maior naturalidade, é dele. Mas há quem crie expectativas qdo o encontra ao vivo, e chega até mesmo a "pedir" uma pérola. Ele não faz graça de propósito. É seu jeito de ser, dentro de contextos, tudo muito natural que nem ele mesmo percebe o qto está sendo engraçado. Portanto, não espere encontrar Pedro e ele sair soltando suas pérolas do nada. Não é assim! Ele não é uma máquina, ou um robô. É somente um menino feliz, descontraído que tem leveza em viver.

Esta última semana, foi repleta de pérolas. Algumas contei em real time no FB, outras ficaram somente entre nós. E quero compartilhar com vcs hoje!

1) Ontem, Pedro e o pai estavam na varanda fazendo um churrasco, e eu do lado de dentro. Eis que Pedro vem me chamar:
- "Mãe, vem! Saiu coRRação!"
- "Hãnnn!?"
- "CoRRação mãe! Tô treinando francês!"


2) Como todos sabem, Leo não fala, somente emite sons tais como "hum", "ain", "gãin", etc… Dia desses, seu amigo estava aqui em casa. Pegou algo 'emprestado' de Leo sem pedir, e Pedro logo avisou:

- "Ô fulano! Isso é do Leo, tem que perguntar pra ele se pode!" E o menino respondeu:
- "Mas ele não sabe falar!"
- "Sabe sim!"
- "Sabe!? O que ele fala então!?"
- "Ele fala números! 'Hum, Hum…' (leia-se: número 1!)"

3) Tb com um amigo em casa. O menino falou:
- "Pedro, se vc comprar outro gato, vc pode colocar o nome de Obi-Wan, o que vc acha!?"
- "Cara, não se compra animais! Se a-do-ta!"

4) Ontem tb, ainda no mesmo churrasco. Eu e marido conversando sobre Stella e seu smartphone. Falei que precisamos controlar mais, conversar com ela e conscientizar sobre o uso, pq ela tá muito conectada. Aí Pedro comentou:

- "Stella só quer saber desse celular! Nem fala mais com a gente!". Aproveitei pra educar:
- "Pois é filho. Não se deve trocar as pessoas pela tecnologia. E ele concordou:
- "É! E nem por HAMBURGUER!"

Pausa para risos.

HAHAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHA! 

Despausa.


5) Tarde da noite e Pedro dando trabalho pra dormir. Sem sono, não queria ir pra cama de jeito nenhum. Chegou um momento que dei um ultimato. Para cama Já! Mas ele não se conformou e tentou negociar:

- "Por favor mãe, só mais 10 minutinhos!"
- "Não Pedro, tá tarde, vai dormir!"
- "Só mais 5 minutos então!"
- "Chega Pedro! Nem 1, nem 2! Não adianta, sem negociação!" E aí ele deu a tacada final:
- "Se vc deixar, eu arrumo a sala por 1 semana!" (nada de reação minha!) "Por 2 semanas! 3! Eu arrumo a sala o mês inteiro!"


6) Pedro está com o dente de cima mole e veio todo animado me mostrar. E então eu falei:

- "Ahh filho, vou colar com superbonder!"
- "Super cola!? Pq?!"
- "Pq vc tá crescendo, quero meu bebê de volta!" Ele sereno, super sério, ponderado disse tocando meu ombro com ar de maturidade:
- "Mãe, eu cresci. Não sou mais aquele menininho de antes. Meus dentes vão cair, mas vão nascer novos. Entendeu!? Tudo bem pra vc!?" Me deu um beijinho carinhoso e saiu.


7) E por fim, essa se repete em diversas variáveis, há anos, afinal, ele se acha! Pedro que é super mega ultra vaidoso e metrosexual, estava se olhando e ajeitando a cabeleira (que ele está cultivando) no espelho. Enquanto se olha, fala pra mim assim:

- "Vc nunca na sua vida achou que fosse ter um filho assim como eu né!?"
- "Assim como Pedro!?"
- "Assim, bonitão, esperto, gente boa…"

Ri horrores, mas eu tive que concordar com ele. Não mesmo!


DORE, Pedro. #aos7



sábado, 15 de março de 2014

"A Semana" #post3


Minha blogagem "A Semana", bem que poderia se chamar "A Quinzena", já que não tenho conseguido postar sempre. Para quem ainda não conhece, é uma proposta promovida pela minha amiga e blogueira Fernanda Reali, onde devemos todos os sábados, reunir fatos que se passaram nos últimos dias e assim reviver, relembrar, e perceber o quanto somos felizes nas pequenas coisas cotidianas.

Eu não sei vcs, mas por aqui foi muito movimentado! E nem falo sobre Carnaval já que este ano não curtimos nenhum bloco ou festa. Mas teve fortes emoções!

Logo na quarta-feria de cinzas fui chamada para fotografar um parto, que a princípio seria para a segunda quinzena deste mês. Pois o bebê Antônio Miguel não esperou nem mesmo a parteira, chegar, quanto mais a fotógrafa! Nasceu em casa, nas mãos de seu pai. Cheguei minutos depois, e pude registrar a "hora mágica", os momentos mais importante do resto de nossas vidas. Saiba mais sobre a "hora mágica" aqui:


 
E a vida seguiu. Fotografei em outra cidade no final de semana, e logo na segunda-feira antes do amanhecer, fui registrar mais um parto domiciliar, belíssimo, 100% natural e humanizado! O nascimento de uma mãe, de um bebê, de uma família...  E muita ocitocina no ar! Pq o fruto só cai do pé quando fica maduro! O jardim da casa onde Vitor nasceu, demonstra claramente:


Nova modalidade de esporte RN: escalada de cordão umbilical!
No meio da semana, como contei por aqui, foi aniversário da minha filhota número 1! Levei alguns amigos ao cinema e lanche no shopping, e depois cantamos parabéns a vc' com sua torta preferida: chocolate branco, morango e chantili. (não, não sobrou um pedaço! rs)


Enquanto isso, houve céu lindo de viver! Daqueles de tirar foto com celular, sem filtro, que mesmo assim está mais que perfeito! Eu estava em meu quarto de olho no relógio para buscar Pedro no colégio. Vi a varanda ficar laranja de repente então me aproximei e me deparei com este espetáculo! 


Falando em espetáculo, beleza felina maior não há, convenhamos! Phoebe é puro loosho, diva, musa! E de rastafári então... Rá!


Tudo a ver com o novo livro que comecei a ler. O segundo da série do gato mais famoso da Europa. Street Cat Bob! Estou amando!

Outra curiosidade da semana, foi este 'delicado' bilhete que achei colado no táxi. Acho justo, muito justo! E digno! Nem precisava lembrar! rs!



Ontem finalizei a noite com uma comidinha que por incrível que pareça, foi SUPER rápida e fácil de se fazer. Porção única gratinada com parmesão ralado na hora, uma mini-paella! Tem a receita aqui no blog!


E por fim, hoje o dia começou bem cedinho, pouco mais de 5 horas. Antes das 7 eu já estava na Prainha, paraíso escondido na selva urbana, logo ali pertinho! Manhã de ensaio gestante, um privilégio esses cenários da minha profissão! Como sou feliz com minhas escolhas! 



Que a semana de voces tenha sido cheia de luz e alegria! =)